Empresários de produtoras de funk de SP estão entre os alvos de operação da PF contra lavagem de R$ 1,6 bilhão

Na esquerda, Rodrigo Inácio de Lima Oliveira, sócio da GR6. Na direita, Henrique Alexandre Barros Viana, conhecido como "Rato", dono da "Love Funk". Redes soc...

Empresários de produtoras de funk de SP estão entre os alvos de operação da PF contra lavagem de R$ 1,6 bilhão
Empresários de produtoras de funk de SP estão entre os alvos de operação da PF contra lavagem de R$ 1,6 bilhão (Foto: Reprodução)

Na esquerda, Rodrigo Inácio de Lima Oliveira, sócio da GR6. Na direita, Henrique Alexandre Barros Viana, conhecido como "Rato", dono da "Love Funk". Redes sociais Empresários de produtoras de funk de São Paulo estão entre os alvos da Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal, na manhã desta quarta-feira (15). A ação visa desarticular uma associação criminosa voltada à movimentação ilícita que ultrapassa R$ 1,6 bilhão. Segundo a investigação, o esquema utilizou a indústria audiovisual e o showbusiness digital unindo o tráfico de drogas, jogos de azar e rifas digitais à imagem de influenciadores de massa. Na mesma operação, foram presos os artistas MC Ryan SP e Poze do Rodo e os influenciadores Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, e Chrys Dias, além de outros produtores de conteúdo. A 5ª Vara Federal de Santos expediu 39 mandados de prisão temporária, com prazo de 30 dias. O g1 teve acesso à lista. Entre os nomes citados estão Rodrigo Inácio de Lima Oliveira, da GR6 Eventos, e Henrique Alexandre Barros Viana, conhecido como "Rato", dono da Love Funk. A GR6 se define nas redes sociais como a "número 1 do funk" e é responsável pela gestão de carreiras de cerca de 300 nomes ligados ao gênero, entre eles MC Livinho, MC Hariel, MC Don Juan e MC IG. Já a Love Funk, empresa de Henrique Viana, é responsável pela carreira de nomes como MC Paiva e Paulinho da Capital, além de ter sido base para o lançamento de artistas como MC Daniel. O que diz a PF As investigações da Polícia Federal detalham o papel central dos empresários do setor musical no fluxo financeiro da organização: Rodrigo Inácio de Lima Oliveira: Vinculado à produtora GR6 Eventos, é citado por realizar transferências diretas a MC Ryan SP. Ele já foi alvo de investigações anteriores por suposto financiamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Henrique Alexandre Barros Viana: Identificado como responsável por operações financeiras sem lastro e também investigado por suspeita de lavagem de dinheiro para a facção criminosa. Defesas negam envolvimento Em nota, a defesa de Rodrigo Oliveira e da GR6 afirmou que as transações mencionadas na Operação Narcofluxo referem-se a "relações comerciais lícitas e regulares", próprias da atividade da produtora, e que todos os valores estão respaldados por documentação fiscal e contratos. O empresário reiterou que não praticou atos ilícitos e que segue colaborando integralmente com as investigações. Já os advogados de Henrique Viana, o "Rato", e das empresas Love Records e Formato Funk (alvos de buscas e citadas no relatório da PF), manifestaram "surpresa" com a operação da Polícia Federal. A defesa reafirmou a inocência do empresário, destacando que ele não praticou qualquer crime e que se manifestará nos autos do processo assim que tiver acesso integral ao conteúdo da investigação. Sobre a operação da PF Segundo a Polícia Federal, os suspeitos utilizavam operações financeiras de alto valor, transações com criptoativos no Brasil e no exterior e o transporte de dinheiro em espécie para dissimular a origem dos recursos. Entenda os motivos que levaram os MCs Ryan SP e Poze do Rodo para a prisão Quem são os MCs presos Ryan Santana dos Santos, de 25 anos, é um dos principais nomes do funk nacional. Em nota, a defesa dele disse que ainda "não teve acesso ao procedimento, que tramita sob sigilo", mas ressaltou a "absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras". Disse ainda que "todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada". No caso de MC Poze do Rodo, que se chama Marlon Brandon Coelho Couto Silva e tem 27 anos, a defesa afirmou que "desconhece os autos ou teor do mandado de prisão" e que, quando tiver acesso aos documentos, "se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário". Segundo as investigações, os envolvidos usavam um sistema para ocultar e dissimular valores, incluindo operações financeiras de alto valor, transporte de dinheiro em espécie e transações com criptoativos. As investigações continuam e os envolvidos poderão responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Sócio da GR6 já foi alvo de operação antes Rodrigo Oliveira já havia sido alvo da Operação Latus Actio, em março de 2024, quando a PF apreendeu carros de luxo e aeronaves. Na ocasião, a defesa do empresário afirmou que ele era vítima de "preconceito contra o funk". Agora, a PF apura se o setor fonográfico foi utilizado para dissimular valores bilionários através de transações com criptoativos e movimentações de alto valor em espécie. O que dizem as defesas Abaixo, leia a íntegra da da defesa de MC Ryan: "A defesa técnica de MC Ryan informa, de forma respeitosa, que até o presente momento não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos. Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável. A defesa confia plenamente que os esclarecimentos necessários serão prestados oportunamente, acreditando que, já no início da investigação, a verdade dos fatos será devidamente demonstrada." Abaixo, leia a íntegra da da defesa de MC Poze do Rodo: "A Defesa de Marlon Brandon desconhece os autos ou teor do mandado de prisão. Com acesso aos mesmos, se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário.” Ao g1, o advogado de Raphael Oliveira disse que o influenciador está sendo ouvido na sede da Polícia Federal em Goiânia. A defesa de Chrys Dias não foi localizada.

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