Maria Bethânia pode fazer história hoje e se tornar a primeira cantora de MPB com estatueta do Grammy na estante

Maria Bethânia concorre ao 68º Grammy Awards na categoria Melhor álbum de música global pelo álbum “CAE ⟷ BTH – Caetano e Bethânia ao vivo” Guilh...

Maria Bethânia pode fazer história hoje  e se tornar a primeira cantora de MPB com estatueta do Grammy na estante
Maria Bethânia pode fazer história hoje e se tornar a primeira cantora de MPB com estatueta do Grammy na estante (Foto: Reprodução)

Maria Bethânia concorre ao 68º Grammy Awards na categoria Melhor álbum de música global pelo álbum “CAE ⟷ BTH – Caetano e Bethânia ao vivo” Guilherme Nabhan / Divulgação ♫ ANÁLISE ♬ Indicado ao Grammy 2026 na categoria Melhor álbum de música global, o álbum “CAE ⟷ BTH – Caetano e Bethânia ao vivo” (2025), lançado em maio do ano passado por Caetano Veloso e Maria Bethânia, pode dar a Bethânia um status inédito no universo das cantoras de MPB caso o disco ao vivo com o registro do show da turnê dos irmãos seja anunciado como o álbum vencedor da categoria na cerimônia programada para a noite de hoje, 1º de fevereiro, em Los Angeles (EUA). No caso de uma vitória do álbum dos artistas brasileiros na 68ª edição do Grammy Awards, Bethânia seria a primeira intérprete de MPB a ter na estante uma estatueta da premiação considerada o Oscar da música. A rigor, a simples indicação do álbum “CAE ⟷ BTH – Caetano e Bethânia ao vivo” já coloca a cantora em patamar diferenciado entre contemporâneas como Elis Regina (1945 – 1982) e Gal Costa (1945 – 2022), ambas sequer indicadas ao Grammy, embora tivessem méritos e discos para isso. Já a vitória seria uma consagração adicional e bem-vinda no ano em que Bethânia completa oito décadas de vida em 18 de junho de 2026. Para Caetano Veloso, a honraria não alteraria o status do cantor e compositor, já laureado com um Grammy no ano 2000 pelo álbum “Livro” (1997), eleito o vencedor na mesma categoria, então denominada Melhor álbum de world music. Até porque outros compositores de MPB contemporâneos de Caetano, casos de Gilberto Gil e Milton Nascimento, já ganharam um Grammy nessa mesma categoria. No caso das cantoras brasileiras, cabe lembrar que Astrud Gilberto (1940 – 2023) conquistou um Grammy em 1965 na fundamental categoria Gravação do ano pela performance do samba “The girl from Ipanema” (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1962, em versão em inglês de Norman Gimbel, 1965) no álbum “Getz / Gilberto” (1964). Contudo, Astrud era associada à bossa nova, a gravação era em inglês e o álbum em questão era norte-americano, tendo sido oficialmente creditado como disco do saxofonista Stan Getz (1927 – 1991) e de João Gilberto (1931 – 2019). O nome de Astrud Gilberto sequer é mencionado na capa do LP, laureado com o Grammy de Álbum do ano, ainda que seja dela a voz ouvida na gravação mais famosa de “Garota de Ipanema” no mundo. Cabe também ressaltar que, na área do jazz, a pianista e cantora brasileira Eliane Elias – residente nos Estados Unidos – já ganhou dois troféus no Grammy na categoria Melhor álbum de jazz latino em 2016 e 2022 pelos álbuns “Made in Brazil” e “Mirror mirror”, respectivamente. De todo modo, Elias faz discos para o mercado norte-americano e vive nos EUA. Ou seja, o caso da pianista é bem diferente do de Maria Bethânia, cantora que jamais acenou para o mercado dos Estados Unidos nos mais de 60 anos de carreira. Ao contrário. Maria Bethânia é essencialmente uma cantora que interpreta canções e textos em língua portuguesa, tendo gravado raras vezes músicas em outros idiomas. Tanto que há somente uma música em inglês na vasta discografia da artista, “What’s new?” (Bob Haggart e Johnny Burke, 1939), gravada para o álbum “A tua presença...” (1971). Por isso mesmo, Maria Bethânia pode fazer história hoje à noite se coroar a majestosa trajetória como cantora com uma (provável) vitória no 68º Grammy Awards do álbum “CAE ⟷ BTH – Caetano e Bethânia ao vivo”. Capa do álbum ‘CAE ⟷ BTH – Caetano e Bethânia ao vivo’, de Caetano Veloso e Maria Bethânia Divulgação

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