Orgulho latino não surgiu agora... Cypress Hill vai mostrar no Lolla que é pioneiro do rap em espanhol

Muito antes da explosão global de Bad Bunny ou Daddy Yankee, o hip-hop latino já botava o pé na porta nos anos 90 com o Cypress Hill. Formado em South Gate, ...

Orgulho latino não surgiu agora... Cypress Hill vai mostrar no Lolla que é pioneiro do rap em espanhol
Orgulho latino não surgiu agora... Cypress Hill vai mostrar no Lolla que é pioneiro do rap em espanhol (Foto: Reprodução)

Muito antes da explosão global de Bad Bunny ou Daddy Yankee, o hip-hop latino já botava o pé na porta nos anos 90 com o Cypress Hill. Formado em South Gate, na Califórnia, o grupo não só misturou inglês e espanhol; ele definiu uma estética sombria e chapada que influenciou do rap ao nu metal. A criação, em 1988, foi a partir da união de B-Real, Sen Dog e do produtor DJ Muggs (com a entrada posterior do percussionista Eric Bobo). O que começou como o projeto DVX logo se tornou em uma máquina de vender discos (são mais de 20 milhões de cópias na conta) calcada na mistura de funk latino, rock e samples psicodélicos. O nome veio de uma rua de South Gate, bairro multiétnico e de realidade dura. O disco de estreia, Cypress Hill (1991), foi o cartão de visitas perfeito com "How I Could Just Kill a Man". Essa e outras músicas estarão no setlist do Lollapalooza São Paulo, no Autódromo de Interlagos, neste sábado (21). Um som pesado, estranho e latino O Cypress Hill vai divulgar o álbum "Elephant on acid", lançado em setembro. Divulgação A marca registrada do grupo é o contraste. A voz anasalada e aguda de B-Real corta as batidas, enquanto o flow grave de Sen Dog dá a sustentação. Por trás de tudo, a produção de DJ Muggs criou um som denso e estranho. Serviu de bússola para nomes como Eminem e bandas de rap rock como Korn e Limp Bizkit. É um hip-hop que flerta com o rock hardcore sem perder o groove do g-funk da Costa Oeste. Para Sen Dog, o segredo é a complementaridade: B-Real lidera a narrativa e sua voz entra para reforçar os ganchos e a identidade do grupo. O papel da cannabis Mais do que estilo, a cannabis é uma missão para o Cypress Hill. A planta estampa capas de discos e protagoniza hinos como "Hits from the Bong". O ativismo pela legalização não ficou só nas letras: em 1993, o grupo foi banido do programa "Saturday Night Live" após DJ Muggs acender um baseado ao vivo durante a performance de "I Ain’t Goin’ Out Like That". O "escândalo" só aumentou o sucesso. No mesmo ano, lançaram "Black Sunday" e o grupo se tornou o primeiro do rap a ter dois álbuns ao mesmo tempo no Top 10 americano. O barulho seguiu com projetos recentes como "Elephants on Acid" (2018) e "Back in Black" (2022). Capa do álbum "Cypress Hill", disco de estreia do grupo Cypress Hill Reprodução / divulgação O Cypress Hill foi a primeira força latina do rap a conquistar disco de platina, usando o "spanglish" como afirmação cultural e não apenas artifício comercial. Em faixas como "Latin Lingo", B-Real e Sen Dog trouxeram o cotidiano da imigração e do pertencimento para o centro do palco. A postura é política. Em 2010, cancelaram shows no Arizona em protesto contra leis anti-imigração. "Precisamos nos unir como um povo e lutar pelo que é certo", resume Sen Dog ao g1. Para ele, manter a unidade é a única forma de provar o valor da comunidade latina diante de cenários desafiadores. Orgulho (latino) e resistência O grupo de hip-hop Cypress Hill é um dos mais importantes, com 18 milhões de cópias vendidas pelo mundo. Flavio Moraes / G1 O Cypress Hill também foi fundamental para abrir espaço para artistas latinos dentro do hip-hop. O grupo foi o primeiro latino a conquistar disco de platina e incorporou o “spanglish” em suas músicas, misturando inglês e espanhol como forma de afirmação cultural. Faixas como “Latin Lingo” e projetos como Los Grandes Éxitos en Español ajudaram a pavimentar o caminho para o hip-hop latino no mainstream. A identidade do grupo está diretamente ligada às suas origens. B-Real e Sen Dog, com origens cubana e mexicana, trouxeram para o rap temas como imigração, pertencimento e vida nas ruas. Sen relembrou as inspirações no início da carreira e o impacto de ver outros artistas latinos, como Dj Charlie Chase e o grupo Mean Machine no hip-hop. “Bem no começo do hip-hop, eu ouvi alguns rappers latinos de Nova Iorque, e aquilo me inspirou… sabe, somos latinos de Los Angeles, e não tínhamos ouvido nenhum rapper latino ainda. Eu sou muito orgulhoso de ser latino e de representar quem eu sou.” Ao longo da carreira, o grupo se posicionou politicamente várias vezes. Em 2010, cancelou um show em Tucson, no Arizona, em protesto contra uma lei anti-imigração. Sen afirma que o cenário atual ainda é desafiador para a comunidade latina: “Tem momentos que fica mais pesado que outros, mas agora precisamos nos unir como um povo e lutar pelo que é certo, dias melhores estão vindo, só temos que manter a unidade agora e mostrar ao mundo que somos orgulhosos e precisamos demais gente chegando e provando isso.” Conexão com o Brasil A relação com o Brasil é antiga e vai além dos palcos. Em visitas anteriores (2007, 2011 e 2017), o grupo estreitou laços com o Planet Hemp, os "irmãos de causa" brasileiros. Agora, o retorno é maior: o grupo se apresenta no Lollapalooza no sábado (21), e segue para um show solo na Audio, em São Paulo, um dia depois. A promessa é de um set que atravessa décadas de fumaça, protesto e a batida inconfundível que colocou o orgulho latino no mapa do pop mundial. “O público brasileiro sempre aceitou a gente em um nível muito forte, é sempre um prazer visitar o país e vamos fazer o melhor show que pudermos." A promessa é de um set que atravesse décadas de fumaça, protesto e a batida inconfundível que colocou o orgulho latino no mapa do pop mundial.

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